Romance no Brasil só resiste se aceitar parcelar em doze vezes

A vida amorosa do brasileiro trabalhador é praticamente um reality show patrocinado pelo boleto. De um lado, a empolgação pura, elogio pra lá, coraçãozinho pra cá, promessa de romance eterno feito na base do emoji e da coragem. Do outro, a dura realidade financeira chegando de voadora, lembrando que sentimento não paga conta, nem parcela o lanche da esquina. O flerte começa cheio de energia, com brilho no olhar e confiança no futuro, mas basta o extrato bancário aparecer que o romance já pede férias por tempo indeterminado. O amor é lindo, mas o salário mínimo tem um poder enorme de cortar qualquer clima.
E aí vem aquele momento clássico em que a sinceridade vira quase um pedido de desculpas. Não é falta de vontade, é falta de dinheiro mesmo. A pessoa até quer viver um grande amor, levar pra jantar, fazer surpresa, mas o orçamento só permite miojo gourmet e passeio virtual pelo shopping. No Brasil, declarar que está duro virou praticamente uma forma oficial de terminar relacionamento antes mesmo de começar. O coração até tenta, mas o bolso interrompe no meio da frase. No fim das contas, o maior vilão do romance moderno não é a concorrência, é a fatura do cartão.




