O dia em que a cantada virou caso de vigilância sanitária

Existe um tipo raro de coragem que não está nos filmes, não está nos livros e definitivamente não está no bom senso. É aquela coragem de olhar uma pessoa bonita e decidir comparar com um animal que vive fugindo de chinelo. O brasileiro não tem medo de nada, nem do perigo, nem da vergonha, nem do bloqueio iminente. É a famosa confiança de quem acorda e decide que hoje vai ser inconveniente profissional, nível olímpico. A pessoa não quer elogiar, quer participar de um experimento social sobre limites da paciência humana.
O mais impressionante é o nível de convicção, como se estivesse soltando a melhor cantada da história da humanidade. Existe uma linha muito clara entre ser engraçado e ser uma ameaça sanitária, e essa linha foi ignorada com a tranquilidade de quem já desistiu de ser levado a sério. Isso mostra que o maior predador das redes sociais não é o hate, é o constrangimento gratuito. No final, fica a lição clássica: autoestima é importante, mas deveria vir acompanhada de um freio de emergência verbal, porque nem todo pensamento merece virar mensagem.




